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FELT
Poemas da Cidade

Quem conhecer pelo menos um disco dos Felt decerto não imagina que Lawrence Hayward é uma pessoa bem disposta. De voz calma, mas com um sentido de humor apurado, Lawrence falou que se fartou sobre as recentes reedições de todos os discos dos Felt, do passado, do presente e do futuro.

A partir do ano passado começaram a reeditar todos os discos dos Felt. Aparentemente não parece haver uma razão concreta para tal nem nenhuma data a celebrar...
Durante os anos oitenta estivemos ligados a duas editoras, a Cherry Red na primeira metade e a Creation na segunda, apesar de em 1989 termos voltado à Cherry Red. Nunca pudemos reeditar toda a nossa discografia porque a Cherry Red só detinha os direitos de metade dos discos. Por isso, quando a Creation foi vendida à Sony a Cherry Red pôde finalmente licenciar os discos que faltavam, durante três anos, e reeditar a discografia toda.

O que sentiu quando, de repente, se voltou a falar dos Felt?
Para mim foi uma excelente oportunidade para lidar com este suporte que é o CD porque os Felt só editaram LPs. As edições dos discos que saíram anteriormente nesse formato não tiveram a nossa autorização e foram editados com dois álbuns por CD com umas capas horríveis. Desta vez tivemos a oportunidade de acompanhar o processo e fazer com que os CDs fossem uma versão reduzida das capas dos LPs, editados em bolsas de cartão, reproduzindo as capas originais. Penso que devia haver uma grande mudança na indústria e que as editoras deviam começar a reeditar os álbuns tal como foram editados originalmente em LP, sem temas extra, demos ou caixas de plástico.

Que idade tinha em 1978 quando gravou o seu primeiro single? O que é que o motivou a pegar numa guitarra? Uma questão de afirmação?
Quando gravei os temas do single "Index" tinha 17 anos, mas o disco só saiu um ano depois. Naquela altura eu não escrevia propriamente canções, era mais tentar aprender a tocar guitarra. Eu queria fazer o minha afirmação, fazer um disco que fosse diferente de tudo o resto à minha volta. Um dia arranjei um gravador, um pequeno amplificador e um microfone de brincar e pensei: hoje vou fazer um disco, e o que quer que toque será o que vou editar. E assim foi. (risos) Eu tinha uns 12 anos quando decidi que queria fazer música, e 15 quando o punk explodiu. Naquela altura a cena independente inglesa era muito forte. As pessoas editavam os seus próprios discos e tinham o cuidado de referir nas capas onde os mesmos eram impressos, por isso o mito de editar um disco foi deitado por terra. Qualquer miúdo de 17 anos podia pensar, como eu: "ó, então é assim que se fazem os discos, nesse caso vou fazer um". Quando tinha 15 anos era tudo um grande mistério....

Estranhamente, não incluíram o "Index" na compilação de singles "Stains On A Decade". Não acha que seria importante para se compreender de onde vêm os Felt?
O "Index" vem de uma fase diferente. Foi a génese dos Felt, mas era só eu e uma guitarra, não era o grupo. As pessoas que realmente querem ouvir o "Index" querem ouvir o single original, que teve uma edição limitada a 500 cópias. A última vez que o vi numa loja custava 70 Libras, e nem sequer era a edição original, era uma edição pirata japonesa. O original deve chegar às 80 ou 90 Libras. Isso deixa-me bastante orgulhoso porque juntamente com o "Atmosphere" dos Joy Division, editado em França pela Sordide Sentimental, o "Index" é um dos singles mais caros nas lojas de discos de Londres.

Com esse single na mão começou a procurar uma editora a sério? Como é que os Felt assinaram pela Cherry Red?
Tudo aconteceu muito depressa e nós tivemos imensa sorte. Quando auto-editei o single, a única pessoa da minha aldeia que tinha os mesmos gostos musicais que eu era o Nick Gilbert (que se tornou no primeiro baixista dos Felt). Sem me dizer nada ele mandou o meu single ao Mark E. Smith dos The Fall, porque na altura tinha saído o "Dragnet" e ele queria saber uma série de coisas sobre as letras. O Mark E. Smith respondeu-lhe imediatamente dizendo que tocavam em Manchester na semana seguinte e que queriam que fizéssemos a primeira parte. Para nós foi uma excelente estreia porque nessa altura (Março de 1980) o single já tinha um ano de edição e não tinha acontecido nada, e quando o Mark E. Smith escreveu eu tinha acabado de formar os Felt. Por isso já tínhamos seis ou sete canções que se tornaram no "Crumbling The Antiseptic Beauty". No nosso primeiro concerto eu e o Maurice Deebank tocávamos guitarra e o Nick Gilbert bateria (que não era a sua especialidade). Depois do concerto os Fall vieram ter connosco e disseram que éramos a melhor banda nova do momento, que éramos como os Velvet Underground e que o Nick tocava como a Moe Tucker. Ficámos perplexos porque não fazíamos ideia de que lá porque o Nick não sabia tocar bateria se assemelhava à Moe Tucker. (risos) Ficámos muitos agradecidos, mas muito confusos. Depois desse concerto os Fall convidaram-nos a tocar com eles uma semana depois em Liverpool e um mês depois em Londres, no Marquee. Nessa altura enviei o "Índex" para o Dave McCulloch da Sounds, que era um grande fã dos Fall e responsável por eles se terem tornado tão conhecidos, com a indicação de que éramos um grupo novo chamado Felt, que os Fall gostavam muito de nós e que iríamos tocar com eles em Londres na semana seguinte. Em resposta ele fez do "Index" o "single of the week" da edição seguinte, um ano depois de ter sido editado. O Mike Alway da Cherry Red leu essa crítica e o artigo que o Dave escreveu sobre nós duas semanas depois e foi atrás de nós. Literalmente obrigou-nos a assinar com a Cherry Red, sob a promessa de que seriam a melhor editora do mundo. Na verdade ele tinha boas ideias, mas tinha pouco dinheiro... (risos)

Durante muitos anos a maior parte das pessoas não sabia o seu sobrenome porque nos discos só aparecia creditado como Lawrence...
Eu queria ser diferente porque achava que o meu sobrenome não soava como o de uma pop star e eu queira ser uma pop star. Não queria mudar de nome porque isso seria desonesto e eu não queria ser um tolo como o Adam Ant ou outros como ele. Queria ser eu mesmo, por isso decidi que Lawrence era suficiente para as pessoas me identificarem. E convém mencionar que isto foi muito antes do Morrissey. Ele escolheu o último nome enquanto eu escolhi o primeiro. (risos)

Entre os dez álbuns dos Felt podem encontrar-se dois discos inteiramente instrumentais - "Let The Snakes Crinkle Their Heads To Death " e "Train Above The City" -, algo que não era comum numa banda pop britânica. Foi, uma vez mais, a necessidade de ser diferente dos outros?
Sim, por essa razão e pelo facto de em 1988 a imprensa inglesa estar tão focalizada em mim e não no grupo, apesar de os outros elementos serem tão importante como eu. Eles tinham tanto a dizer como eu, mas os jornalistas não queriam falar com eles. O "Train Above The City" foi uma maneira de dizer às pessoas que os Felt eram uma banda que escrevia música em conjunto, e que cada elemento era tão importante quanto eu.

Curiosamente, apesar de querer ser uma pop star não queria que os media centrassem as atenções só em si...
O que eu realmente queria era algo subversivo na música. Queria que o underground passasse a ser overground. Isso é algo que se tornou uma realidade em Inglaterra nos anos noventa. O problema era que, uma vez mais, estávamos cinco anos adiantados. Se os Felt tivessem explodido ao mesmo tempo que os Blur ou os Oásis teríamos conseguido chegar as tabelas de vendas.

Incomoda-o o facto dos Felt serem sempre referenciados como um grupo underground na sombra de bandas como os Echo & The Bunnymen, Joy Division, Durutti Column...
Sim, mas eu entendo porquê. Os Felt nunca tiveram tanto dinheiro para fazer discos como essas bandas, por isso soavam um pouco inferiores em termos de som e produção. Penso que se tivéssemos os orçamentos de bandas como os Echo & The Bunnymen poderíamos ter conseguido subir de patamar. Por exemplo, o nosso primeiro disco foi gravado e misturado em seis dias o que foi terrível. Eu sei que devia ter lido o contrato antes de o assinar, mas não o fiz...

Quando editaram o álbum "Ignite The Seven Cannons" e alcançaram tanta popularidade pensou que tinha chegado a grande oportunidade de se tornar na pop star que queria ser?
Sim, mas antes desse disco editámos o single "Primitive Painters" que esteve em primeiro lugar das tabelas de vendas independentes durante varias semanas. Para nós foi o ponto mais alto da nossa carreira e, curiosamente, o disco que esse single precedeu foi o último para a Cherry Red.

Quando gravaram "Primitive Painters" com a Elizabeth Frazer foi por estarem à procura de uma segunda voz que desse outra vida ao tema, ou foi fruto da vossa boa relação com os Cocteau Twins?
Um dia o Robin Guthrie disse-me que os Felt eram a sua banda preferida e convidou-nos para abrir para eles numa digressão em Inglaterra, e pagaram-nos tudo desde os hotéis ao transporte. Por isso perguntei-lhe se estaria interessado em produzir um disco nosso e ele aceitou. Como não tínhamos feito nenhumas demos dos temas do disco, alias nunca fazíamos isso, o Robin não conhecia as músicas e quando chegámos a estúdio e tocámos o "Primitive Painters", ele disse: "Quero que a Liz cante neste tema, esta é "a" canção do disco". Uma vez que eram um casal, ela tinha ido com ele e estava numa sala à parte a escrever as letras para o próximo disco dos Cocteau Twins. Quando chegou a altura de gravar as vozes desse tema a Liz ouviu o tema uma vez, eu escrevi a parte dela num minuto, pegou na minha folha e o que se ouve no disco é a primeira vez que ela cantou o tema. Mais tarde, o Robin disse-me que achava que esse tema devia ser o single, coisa que não me agradava, mas ele insistiu tanto que eu acabei por aceitar o seu conselho.

Curiosamente, muita gente acha que os Felt eram mais uma banda de singles do que uma banda de álbuns...
Acho que isso é culpa minha. Eu tentei escrever canções que pudessem passar na Radio One. Em Inglaterra, a Radio One era a maior estação de rádio e tinha-se que se ter canções pop se se queria que eles passassem os discos. Nunca me preocupei com as estações de rádio underground, eu só queria que a música dos Felt fosse tocada nas grandes rádios por isso sempre gravámos as canções mais comerciais que eu escrevi. Por exemplo, quando editámos o "Forever Breathes The Lonely Word", o Alan McGee, da Creation, queria editar como single "All The People I Like Are Those That Are Dead", mas eu não deixei porque achava que tinha de ser um tema pop e escolhi "Rain Of Crystal Spires" que não foi a lado nenhum.... (risos) Nunca ninguém o passou na rádio, mas ainda assim eu achava que podia ser um "radio hit". Hoje percebo porque é que ele queria editar o "All The People I Like Are Those That Are Dead", mas naquela altura estava tão obcecado em ser uma pop star que não via mais nada à frente...

Quando completou o ciclo "dez discos em dez anos" e os Felt acabaram estava mesmo a morrer de tédio?
Esse conceito de editar dez discos em dez anos dizia algo às pessoas. Éramos a primeira banda que tinha decidido existir apenas por uma década. Quando chegámos a 1989 chegámos a um ponto crucial na vida dos Felt. Nesse ano tocámos num festival em França com os The La's e os Stone Roses e esse dia foi particularmente importante para nós. De repente vimos dois grupos novos tão fantásticos que nos deixaram de boca aberta. Lembro-me de dizer ao Gary Ainge (baterista dos Felt) que estava feliz pelo facto dos Felt acabarem nesse ano. Que tínhamos tido muita sorte porque caso contrário podíamos tornar-nos "old fashioned". Tanto os La's como os Stone Roses eram tão novos e "fashionable" em Inglaterra que a continuação da banda seria tão estúpida como o facto dos Fall ainda existirem. Por isso estou contente por ter tomado a decisão de ter acabado a banda.

Sei que 16 anos é muito tempo, mas ainda se lembra dos concertos que deu em Portugal, em 1988?
Por acaso lembro-me muito bem porque tocámos em dois grandes teatros. Lembro-me de chegar ao de Lisboa e pensar: que se passa aqui? Nunca iremos encher este sítio. (risos) Também tínhamos outro problema, porque normalmente só tocávamos trinta minutos, era o que estávamos habituados a fazer em Inglaterra. Lá era aceitável, e apesar das pessoas ficarem chateadas não tocávamos mais, porque assim eles iam e compravam os nossos discos e podiam ver-nos ao vivo a toda a hora exactamente porque os nossos concertos eram pequenos. Em Lisboa não queriam perceber isso porque estavam habituados a bandas que tocavam uma hora e meia. Quando saímos do palco, o promotor virou-se para nós e perguntou-nos o que raio estávamos a fazer e disse-nos para voltarmos para o palco imediatamente. E nós dissemos que não, que era o que costumávamos tocar. (risos) Se soubéssemos que na Europa as coisas eram diferentes de Inglaterra teríamos preparado o concerto de uma maneira diferente. Eu tenho a cassete do concerto de Lisboa e o som é excelente já que foi gravada através da mesa de mistura. Honestamente, acho que é a melhor gravação de um concerto dos Felt que temos porque nunca nos preocupamos muito em gravar os nossos concertos, pois quando o fazíamos não os ouvíamos.

Depois das reedições dos álbuns, da compilação de singles e de um DVD ainda sobra alguma coisa por editar?
Para completar esta série de edições devemos editar ainda este ano uma compilação de lados B, uma de raridades inéditas e um disco ao vivo. A Cherry Red contactou alguns dos maiores fãs dos Felt e curiosamente o melhor site dedicado aos Felt é de Portugal. Sei que a pessoa chegou a mandar alguns CD-Rs com concertos, mas nenhuma dessas gravações é melhor que a gravação do concerto de Lisboa que tenho. Por isso é muito provável que editemos isso em CD. Depois disso prometo que não haverá mais nada. (risos)

A sério?
Pelo menos não em disco, porque em Inglaterra há uma pessoa que está a escrever um livro sobre os Felt e amanhã (2 de Março) começa a ser rodado um filme sobre mim. Será realizado pelo Paul Kelly, que já fez parte dos Saint Etienne. Era para ter sido começado o ano passado, só que eu não me sentia preparado para o fazer. Vai chamar-se simplesmente "Lawrence", apesar de eu achar que devia ter outro nome. Ele vai seguir-me para todo o lado e acompanhar e documentar o processo de evolução da minha nova banda.

E como se chama esse novo projecto?
Ainda não escolhi o nome, tenho apenas algumas ideias. O que posso adiantar é que vou trazer o Gary Ainge para tocar de novo comigo. Será diferente de Denim, que era mais um projecto de estúdio, já que desta ver quero voltar a tocar ao vivo com uma banda, como fazia com os Felt. Tenho o disco todo escrito e, mais uma vez, será diferente dos Felt, Denim ou Go-Kart Mozart. À medida que vamos envelhecendo vamo-nos tornando mais sábios, e como escritor de canções vamos evoluindo, melhorando a escrita, por isso espero que sejam as melhores canções que escrevi até agora. As canções que escrevi não têm humor nenhum, são muito tristes. Não são propriamente como as dos Felt porque seguem outro caminho, liricamente são mais autobiográficas. Nos Felt as letras eram mais poéticas, com excepção do último disco em que se tornaram bastante autobiográficas. Este é provavelmente o disco mais honesto que escrevi. Será gravado este ano, mas a sua saída depende do acordo de conseguirmos. Desta vez quero assinar um contrato para, pelo menos, dois discos.

Hugo Moutinho

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FELT
No final dos anos 80 e depois de cumprida a promessa de dez discos em dez anos os Felt desapareciam de cena deixando para trás um percurso instável, dominado pela personalidade difícil de Lawrence, mas recheado de algumas boas canções. Com excepção feita ao single "Primitive Painters", os Felt nunca conseguiram alcançar o sucesso comercial. Isto apesar de a imprensa da época os ter reverenciado e de terem até conseguido algum culto entre os mais dados a canções tristes e intimistas. O som de guitarras que dominou a sonoridade da banda durante metade da década de 80 deixou-se "corromper" pela beleza das teclas o que veio enriquecer ainda mais as melodias escritas por Lawrence, que sempre vaguearam na sombra das de bandas como os Echo & The Bunnymen ou Joy Division.
Resolvidas que estão as burocracias da indústria discográfica, Lawrence conseguiu, desde meados do ano passado, realizar o sonho de reeditar de uma forma honesta todos os seus discos em CD, tal como foram editados originalmente em LP, ou seja, com o mesmo alinhamento (sem recurso a faixas extra) e em embalagem de cartão que reproduzem o grafismo original.
Ouvir os discos dos Felt de forma cronológica e de uma assentada, a esta distância, pode resultar numa experiência tão pesada como agradável. Pesada porque as letras soturnas e introspectivas, aliadas às melodias tristonhas e belas de Lawrence podem revelar-se, quando em doses excessivas, melancolia a mais; agradável, porque não só nos leva a um tempo (então) de descobertas musicais, como a vaguear pelas canções dos Felt é escutar um dos mais bonitos legados da música popular dos anos 80.
Como complemento às reedições dos dez álbuns dos Felt, e porque o tal plano também incluía singles, a compilação "Stains On A Decade" é a terceira ponta de um triângulo completado por "Ignite The Seven Cannons" e "Forever Breathes The Lonely Word, talvez os dois álbuns de originais que mais urge descobrir. Se os Felt foram por várias vezes acusados de serem uma banda de singles, esta recolha funcionará para muitos como um "best of" e para outros como uma excelente iniciação à obra do grupo.
Como o próprio Lawrence afirma na entrevista aqui ao lado, este novo plano de edições só ficará completo com a edição de duas compilações (lados B e raridades) e um disco ao vivo - possivelmente a gravação do concerto de Lisboa em 31 de Março de 1988 -, a editar ainda este ano. Enquanto tal não acontece, a memória dos "thirty-something" poderá ser reavivada com a visualização de "A Declaration", um DVD gravado ao vivo na ULU, em Londres, em Fevereiro de 1987. Sem grandes artifícios ou truques de captação, o que se vê em "A Declaration" é "apenas" a actuação dos Felt nesse já distante Fevereiro de 1987. Simples, despojado de tudo excepto da música, este é daqueles concertos em o que conta são mesmo as canções. Como bónus o DVD traz o vídeo-clip de "Stained Glass Windows In The Sky", também ele desprovido de qualquer elemento supérfluo.
Hugo Moutinho

Crumbling the Antiseptic Beauty (6/10)
The Splendour Of Fear (7/10)
The Strange Idols Pattern And Other Short Stories (6/10)
Ignite The Seven Cannons (9/10)
Let the Snakes Crinkle Their Heads To Death (7/10)
Forever Breathes The Lonely Word (9/10)
Poem Of The River (8/10)
The Pictorial Jackson Review (7/10)
Train Above Tthe City (8/10)
Me And A Monkey On The Moon (7/10)
Stains on a Decade (9/10)
A Declaration DVD (7/10)
(CDs e DVD Cherry Red/Músicactiva)